O Globo Digital 01/07/2013

Rio de Janeiro, Segunda-Feira, 1º de Julho de 2013

Os dez prédios mais feios do Rio

 Numa cidade reconhecida pela beleza de sua paisagem natural como o Rio, a missão de arquitetos e urbanistas deve ser, no mínimo, não destoar do cenário ao criar prédios e o planejamento da cidade. Na vida real, no entanto, espalham-se pelos bairros cariocas construções de gosto e projeto duvidosos. 

Para eleger os dez campeões no quesito feiura, O GLOBO convidou cinco arquitetos que ajudaram a formar a lista a seguir: Alfredo Britto, Luiz Fernando Janot, Manuel Fiaschi, Sydnei Menezes e Washington Fajardo.

 

1. Catedral Metropolitana

A mais citada pelos arquitetos, a Catedral Metropolitana, no Centro do Rio, tem volume desproporcional e incompatível com o entorno urbano, na opinião de Sydnei Menezes, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio (CAU-RJ), que acrescenta: "Ela tem um péssimo tratamento de fachada. Chega a haver uma ausência de tratamento".

2. Cidade do Samba

A base de 14 escolas de samba cariocas na Gamboa produz muita beleza para o carnaval, mas não ganha nota 10 no quesito arquitetura, na opinião dos especialistas. Com área de 92 mil metros quadrados, a Cidade do Samba reúne 14 barracões, um prédio administrativo, uma praça central, lanchonetes e estacionamento.

3. Mourisco

Chegando à Praia de Botafogo, é difícil não notar o Centro Empresarial Mourisco, com sua fachada de vidro espelhado e grande volume. Para o arquiteto Sydnei Menezes, o prédio dá a sensação de que não cabe no terreno.

4. Clubes de Remo no Aterro do Flamengo

As construções erguidas no Aterro do Flamengo para abrigar clubes de remo têm como vizinho um dos ícones da arquitetura carioca: o Museu de Arte Moderna (MAM), criação de Affonso Eduardo Reidy. A proximidade parece salientar a baixa qualidade do projeto dessas sedes de clubes de remo, que sofrem ainda com a falta de conservação.

5. Shopping New York City Center

A polêmica cópia da Estátua da Liberdade instalada em frente ao Shopping New York City Center, na Avenida das Américas, na Barra, tornou-se um símbolo do espaço, muito criticado por sua arquitetura e estética.

6. Elegance Hotel

O motel erguido na Rua Correia Dutra, no Catete, com sua fachada de vidros rosas, atraiu as críticas dos arquitetos e professores da PUC-Rio Alfredo Britto e Manuel Fiaschi. "A cor é muito feia. O prédio expele feiura e ainda pinta a rua de rosa. É um exemplo da falta de preocupação na relação dos prédios com a cidade", afirma Fiaschi.

7. Minishoppings na Barra

Ao elaborar sua lista dos prédios mais feios da cidade, o arquiteto e professor da FAU-UFRJ Luiz Fernando Janot fez um pacote do que chamou de minishoppings na Avenida das Américas, na Barra: o Midtown (na foto, número 5.001), o Bayside (número 3.120) e o Millenium (número 7.707).

8. Bingo Arpoador

A construção da Rua Francisco Otaviano 35, em Copacabana, que já abrigou o Bingo Arpoador, é uma das lembradas na lista. Com uma mistura de vidros esverdeados e colunas em mármore, o prédio tem em seu topo uma espécie de arco e três elementos que lembram teias de aranha. Um deles ostenta o número 35.

9. Centro de Convinções Sulamérica

Instalado na Cidade Nova, perto da prefeitura, e inaugurado em 2007, o Centro de Convenções da Sulamérica é mais um exemplar da arquitetura carioca que aposta no uso de vidro colorido na fachada (ainda que seja difícil dizer se o vidro é azul ou verde). O prédio recebeu voto de Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade.

10. Rodoviária Novo Rio

A  Rodoviária Novo Rio é um dos prédios mais feios do Rio na opinião do arquiteto e professor da PUC-Rio Manuel Fiaschi: "É uma caixa sem nenhuma preocupação arquitetônica e sem relação com a cidade. A rodoviária é um lugar aonde as pessoas chegam e a nossa é uma caixa inexpressiva".