Jornal O Globo 11/03/2016

Hotel flutuante holandês vai ancorar nas águas da Baía de Guanabara

Instalações ficam em Niterói e é fruto de parceria com prefeitura e a UFF

POR RENAN RODRIGUES

 Jornal O Globo 11/03/2016 7:00

 

NITERÓI — A vista de Niterói para quem desembarca na estação da Praça Araribóia terá um cenário diferente a partir de junho. A paisagem vai ganhar uma opção de hospedagem que sairá de navio, em maio, de Amsterdam. A novidade não se restringe, porém, a uma rede hoteleira internacional. Pelo período mínimo de cinco anos, o hotel do Good Hospitality Group, fundado na Holanda em 2013 pelo CEO Marten Dresen, ficará estaqueado em frente ao campus da UFF no Gragoatá, a cerca de 20 metros do continente, e será explorado por alunos de Turismo da universidade.

O projeto é fruto de uma parceria da empresa com a prefeitura de Niterói e a UFF. De acordo com Ana Carolina Moutella, coordenadora da firma no Brasil, além de servir de estágio para os universitários, ele capacitará jovens carentes selecionados tanto pelo município quanto pela UFF. A estimativa é que, no primeiro ano de funcionamento, pelo menos 60 pessoas sejam treinadas para trabalhar no setor como garçom, camareira e recepcionista.

— O projeto é interessante por vincular o turismo ao atendimento à comunidade carente onde o flotel (hotel flutuante) vai se instalar. A indústria do turismo é limpa, emprega muita gente e mobiliza vários setores da sociedade — avalia a secretária municipal de Urbanismo e Mobilidade, Verena Andreatta.


O flotel tem 150 acomodações, incluindo quartos adaptados para pessoas com deficiência. O restaurante e o bar estarão abertos a visitantes. Há um plano de que um bar seja construído no terraço para aproveitar a vista da Baía de Guanabara:

— A ideia é ter uma área de interação entre hóspedes, visitantes e funcionários. Quem quiser almoçar ou jantar conosco, tomar um café ou fazer happy hour será bem recebido. Temos planos de abrir um bar na cobertura e, para isso, estamos procurando parceiros locais que se interessem em administrá-lo — diz Ana Carolina.

O preço para hospedagem ainda não foi divulgado.

— Estará dentro da faixa de um hotel de três ou quatro estrelas em Niterói — adianta a coordenadora.

Embora não seja uma ONG, a empresa responsável pela novidade se adapta ao conceito do social business, uma instituição cujo lucro é revertido para projetos sociais.

— Planejamos, originalmente, ficar cinco anos em Niterói para os investidores reaverem a aplicação. São investidores sociais, vão receber apenas o que foi investido, sem correção ou qualquer tipo de juros. Mas estamos estudando a opção de permanecer por mais tempo — adianta Ana Carolina.

A equipe do Good Hotel Brasil vai ter aproximadamente 70 pessoas. Em um ano de recessão econômica, a chegada do hotel traz ainda uma boa notícia: a maioria dos funcionários deve ser recrutada em Niterói.