Prefeitura apresenta novo projeto para a ocupação do terreno do Mundial, na Gávea

Prefeitura apresenta novo projeto para a ocupação do terreno do Mundial, na Gávea

Parque Sustentável da Gávea seria condomínio residencial e comercial com prédios de quatro andares

RIO — O terreno desativado na década de 1980 na Rua Marquês de São Vicente, na Gávea, e onde funcionou o antigo Laboratório Farmacêutico Moura Brasil, está de volta ao centro das discussões. Na última quarta-feira, durante audiência pública no Planetário, nova proposta foi discutida. Desta vez, a prefeitura apresentou o projeto do Parque Sustentável da Gávea, que resultaria na criação de um condomínio residencial e comercial, como antecipou a coluna de Ancelmo Gois, com prédios de quatro andares, além de um parque.

Os moradores foram receptivos ao projeto, uma parceria público-privada da prefeitura com a empresa STX Desenvolvimento. No entanto, apresentaram algumas dúvidas sobre como ficaria o já caótico trânsito na via após a instalação do empreendimento, como seria feita a ocupação das áreas verdes do espaço e como seria o trabalho de preservação da centenária mangueira localizada na frente do terreno.

— Como associação estamos buscando uma solução definitiva para o local, e esta foi a proposta mais interessante que apareceu em 30 anos. Acho que essa é a hora de o morador se conscientizar de que é preciso acabar com aquele abandono. Se nada for decidido serão mais quantos anos até encontrarmos outra solução que agrade a todos? — questiona o presidente da Associação de Moradores e Amigos da Gávea (Amagávea), René Hasenclever.

Entre os moradores que são contra a instalação do projeto está a empresária Arlete Gomes, que acompanhou atenta a apresentação e contestou a criação dos prédios no local.

Segundo Manuel Fiaschi, arquiteto da STX e um dos responsáveis pelo projeto, a solução encontrada valoriza a área, preservando a mangueira e abrindo um largo entre os edifícios.

— Dos 25 mil metros quadrados de área total, apenas 4.700 terão construções, com três andares sobre as lojas. Doze mil metros quadrados serão abertos ao público e terão praça infantil, mirantes e pista de caminhada. A parte mais alta será totalmente preservada, acessível só a pesquisadores da fauna e da flora — diz Fiaschi.

A prefeitura afirma que analisará, junto com os empreendedores, todas as dúvidas e ponderações feitas pelos moradores durante as três horas de audiência pública. Em seguida, serão formatadas para compor um projeto de lei que será votado na Câmara dos Vereadores.

— Cumprimos o papel de discutir os problemas do bairro e buscar consenso — diz Verena Andreatta, secretária municipal de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação e responsável por elaborar o projeto de lei

Procurado, o supermercado Mundial afirmou que o assunto está sendo tratado diretamente pela STX.

O terreno na Marquês de São Vicente foi comprado pelo supermercado Mundial em 2003. Tempos depois, foi declarado de utilidade pública para fins de desapropriação, e, em 2014, foi determinado que virasse um parque público, por meio da lei 5.757. Em 2016, o escritório de arquitetura A+ apresentou projeto para a construção de um centro empresarial, com três blocos, que não foi adiante.